03/07/09
Programa do governo ajuda a elevar venda de imóveis, diz sindicato
Dois meses após seu lançamento, o programa habitacional do governo federal Minha Casa, Minha Vida começa a refletir no mercado e ajuda a elevar a procura e as vendas de imóveis novos em São Paulo. Segundo estudo do Secovi-SP (sindicato do setor imobiliário), parte da recuperação nos negócios observada de janeiro a março deste ano deve-se à divulgação do programa.

"Os números do programa só vão aparecer no segundo semestre, mas sua exposição na mídia elevou o movimento nos plantões das construtoras e ajudou a aumentar as vendas", afirmou o economista-chefe do Secovi, Celso Petrucci.

Aprovado em março pelo governo, o Minha Casa vai oferecer imóveis de até R$ 130 mil a famílias com renda de três a dez salários mínimos (R$ 1.395 a R$ 4.650). Nem 0,2% dos contratos foram fechados até agora, mas gerou uma procura bastante forte no setor.

As vendas de imóveis tiveram forte alta em março, na comparação com janeiro e fevereiro. Foram comercializadas 2.162 unidades no mês, contra 1.556 em fevereiro e 1.113 no mês anterior. Considerando o acumulado do trimestre, as vendas foram 43% menores que no mesmo período de 2008 (8.478 imóveis comercializados).

O Secovi destaca que "o mercado na cidade de São Paulo fechou o trimestre com resultados satisfatórios para um momento 'pós-crise'. O mais relevante é a percepção [das empresas] de retomada das vendas diante do novo ambiente gerado pela crise".

Melhora no ano

"Estamos em uma trajetória ascendente e bastante otimistas com a melhora no mercado", afirmou Cláudio Bernardes, vice-presidente do sindicato. "O governo conseguiu fazer o setor da construção civil andar, tanto nas vendas, quanto na produção e no emprego. Esse programa dá um passo gigante para solucionar o déficit de habitação da baixa renda."

A entidade prevê que em 2009 sejam vendidos 29 mil imóveis. O número representa uma alta de 2,3% sobre 2006, mas é uma queda de 11,7% na comparação com 2008 e 20%, com o ano anterior.

"2007 e 2008 foram anos atípicos, que registraram números excepcionais, muito superiores às médias históricas, o que tem levado o Secovi a usar o exercício de 2006 como base de comparação", explica Petrucci. Em 2007 e 2008, foram comercializadas 36.615 e 32.847, respectivamente.

Sondagem realizada pelo sindicato com as empresas do setor mostra que as vendas devem continuar crescendo (algo em torno de 20% a 25%) em abril, frente a março.

Ajuste de estoque

A alta nas vendas ainda não significou a retomada na produção. Estudo apresentado pelo sindicato sobre dados da Embraesp (Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio) mostra que as construtoras estão aproveitando para reajustar os estoques e desovar projetos lançados desde o ano passado.

"Desde janeiro há mais vendas do que lançamentos, isso porque as construtoras estão reajustando seus estoques e medindo os mercados com mais cuidado para iniciar novos projetos", afirma Petrucci.

No primeiro trimestre, os lançamentos residenciais chegaram a 3.154 unidades. A queda é de 55,1% na comparação com os primeiros três meses de 2008, quando foram anunciados 7.025 imóveis.

Fonte: Folha de São Paulo

 

 
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